A aceleração das sociedades humanas em todos os seus aspectos, a condição da mudança do ritmo da própria mudança constitui-se em uma questão magna discutida pelos especialistas no Antropoceno, a saber, na crise do equilíbrio ambiental que estamos atravessando. Um dos territórios em que a aceleração se tornou nitidamente visível é a Inteligência Artificial (IA). O surgimento de novos sistemas e modelos nos assalta a cada dia. Só nesta semana surgiram, com todo o alarde exigido pelo mercado, duas novidades: uma nova geração do GPT-5.6 cujo modelo principal se chama Sol, devidamente acompanhado por Terra, um modelo equilibrado para o uso cotidiano e Luna, um modelo rápido e acessível. Quem está em alerta, não deixa de perceber que os nomes cósmicos, pretensamente em harmonia com a natureza, não conseguem esconder a ironia dos grandes estragos que a IA também provoca na sustentabilidade planetária. A outra novidade vem de uma startup, até agora discreta, sediada em Miami, que está lançando um novo tipo de LLM, o “Subquadratic”, nome também curioso para dar conta das promessas de resolucão de gargalos matemáticos, solução que os críticos estão recebendo com ceticismo.
Além da aceleração, outro fator notável da IA é sua onipresença. Seus tentáculos vão se espraiando por todos os campos e práticas humanas enquanto o falatório sobre ela já frequenta até mesmo o jardim de infância. Esses comentários sobre aceleração e onipresença aqui comparecem para o reconhecimento de que escrever sobre a IA está se transformando em uma ambição alinhada ao risco da obsolescência.
Nem por isso, devemos desistir, com a condição de que a escritura seja suportada por um estado da arte atualizado, como um pássaro que se pega em pleno voo. Assim, se amanhã muita coisa mudar, estudos responsáveis vão marcando e documentando analiticamente o caminhar das questões, uma tarefa importante para evitar o fascínio pelas novidades, aliado ao hábito preguiçoso de sistematicamente se cair de pára-quedas em um presente sem densidade temporal.
Outro problema importante, que este livro buscou enfrentar, diz respeito à interdisciplinaridade da IA. Mesmo quando o tema a ser estudado é muito bem recortado, a IA está exigindo olhares não fixados em um único ponto de vista. Que nos sirvam de exemplo os sofisticados estudos provenientes de grandes centros de pesquisa que contam até mesmo com dez autores. São essas precauções que nos levaram a buscar uma autoria colaborativa a seis mãos e três mentes em que cada um trouxe sua contribuição com aquilo que confia saber melhor. Assim, entregamos ao leitor neste pequeno livro uma questão de urgência: é preciso conhecer, pensar e julgar até onde podemos admitir a entrada da IA em nossas mentes. Quais são as aberturas possíveis e os limites obrigatórios?
Esta coleção Interrogações, em que o livro se insere, não existe para fornecer respostas prontas. Ela flagra perguntas e fornece meios para que o leitor pense e avalie por si. Vem daí os dois conceitos originais que, neste caso, levantamos para ajudar nessa tarefa: a gangorra dos pesos cognitivos e a autogovernança cognitiva. Se a curiosidade foi acionada, as páginas estão abertas à maneira de um convite. A promessa é que elas ajudarão o leitor a pensar por si.
A IA está usurpando sua mente ?
Especificações Técnicas
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ISBN 978-85-5029-098-6
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140 páginas
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13 x 17
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